18 de outubro de 2021

Quer comprar um imóvel? Compare as taxas de crédito dos financiamentos imobiliários

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A queda dos juros básicos da economia está puxando as taxas de crédito imobiliário para baixo. Veja quanto os grandes bancos estão cobrando hoje e se vale a pena financiar um imóvel

O sonho da casa própria está ainda entre os principais desejos financeiros dos brasileiros. Mas não é qualquer um que pode – e topa – pagar salgadas parcelas por 30 anos. A boa notícia é que o corte da taxa Selic resultou na queda de taxas de crédito imobiliário, pois grandes bancos foram forçados a se mexerem e também diminuir as taxas de juros dos financiamentos da casa própria.

O anúncio mais recente foi o do Bradesco. O banco comunicou na última segunda-feira (30) a redução da taxa de 8,20% ao ano + Taxa Referencial (TR) para a partir de 7,30% ao ano + TR. O cliente pode financiar até 80% do valor do imóvel e pagar em até 360 meses (30 anos).

Antes dele, no dia 27 de setembro, o Itaú havia comunicado que a partir de 1º de outubro, a taxa mínima cobrada seria de 7,45% ao ano +TR, variando de acordo com o perfil do cliente e de seu relacionamento com o banco. Antes, as taxas iniciavam em 8,10% mais TR. Em julho, foi o Santander que cortou a taxa, de 8,99% para 7,99% ao ano + TR e alongou o prazo máximo de 30 para 35 anos.

Um levantamento feito pelo portal Melhortaxa a pedido do Valor Investe mostra como estão hoje as taxas mínimas dos empréstimos nas principais instituições financeiras:

Taxa mínima de juros de financiamento imobiliário:

Bradesco7,30% ao ano + TR
Itaú7,45% ao ano + TR
Santander7,99% ao ano + TR
Banco do Brasil8,29% ao ano + TR
Caixa Econômica8,50% ao ano + TR

Fonte: Melhortaxa

“É importante notar que a Caixa, que historicamente empurra a concorrência dos outros bancos no produto, não puxou desta vez. Outros bancos estão na frente. Com menos dinheiro disponível, a Caixa está focando em seu novo modelo de financiamento, anunciado recentemente”, diz Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa.

Caixa Econômica lançou em agosto uma linha de financiamento de imóveis com juros fixos mais baixos, de 2,95% a 4,95% ao ano, mais a correção pela inflação. O novo modelo promete reduzir o valor das parcelas iniciais e ampliar o acesso ao crédito. Mas a correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também apresenta riscos e até parcelas maiores no longo prazo.

“O produto [a nova linha de financiamento da Caixa] em si não tem inovação, já que é usado para financiar os fundos de investimentos e a tabela do incorporador. Mas, é a primeira vez que um banco grande usa o modelo. Interessante também porque aproxima o mercado de capitais, ao agrupar esses créditos, emitir títulos e vendê-los no mercado”, disse Sasso.

Além dos bancões, é difícil encontrar outras formas de financiar um imóvel. O Banco Inter é um dos menores que oferece o produto, mas está comprando briga com os grandes. Recentemente baixou as taxas de 8,5% ao ano + Taxa Referencial para 7,7% ao ano + TR. A instituição tem um total de R$ 2 bilhões destinados ao crédito imobiliário.

Há plataformas, como a Melhortaxa e a CrediHome, que têm o objetivo de conectar os compradores com o crédito. Pelo site delas é possível simular e contratar um financiamento imobiliário ou um empréstimo com garantia imobiliária.

Com a queda das taxas, vale a pena comprar e financiar um imóvel?

O setor imobiliário foi um dos mais afetados nos últimos anos. Mesmo antes da crise econômica já enfrentava uma desaceleração. Apesar de uma leve recuperação nos últimos meses, o índice FipeZap aponta que os preços de imóveis continuam em certa estagnação e o retorno para quem quer alugar não anda tão bom quanto costumava ser. Por mais que as taxas de crédito imobiliário estejam historicamente em queda.

“A taxa de juros em queda deve aquecer o mercado, mas não é suficiente”, afirma Marcelo Prata, especialista em crédito e mercado imobiliário e fundador das plataformas Resale, de venda de imóveis retomados, e do site de comparação de produtos financeiros Canal do Crédito.

“A compra do imóvel, principalmente com financiamento, depende do tripé emprego, renda e confiança do consumidor em alta. Se a pessoa não tiver confiança de que vai continuar empregado e com sua renda crescendo, dificilmente irá entrar em um financiamento de 30 anos”, comenta Prata.

Mas, na opinião do especialista, quem tiver dinheiro para dar ao menos 25% de entrada, este pode ser um bom momento para comprar e ainda conseguir barganhar. Aproveitar a queda das taxas de financiamento imobiliário é uma estratégia que merece atenção de quem já estava com planos de fazer o investimento.

“Estamos em um momento muito interessante, com taxas em patamares mais baixos do que o momento pré-crise e com um mercado imobiliário que ainda não se recuperou da crise. Como o mercado ainda não reagiu, as pessoas podem encontrar imóveis e preços de acordo com a realidade”, diz Prata.

Um alerta, porém, é para o valor das parcelas. Como muitas pessoas pensam em comprar e parcelar para sair do aluguel, é preciso checar se as parcelas do início cabem no bolso porque elas podem ser três ou quatro vezes o valor que a pessoa pagaria de aluguel naquele imóvel.

“É pedir para dar errado assumir uma prestação que é muito maior do que o seu aluguel. Encarece o custo fixo e você pode ter problema para pagar”, comenta o especialista.

Portabilidade de financiamento imobiliário

Para quem já tem um financiamento imobiliário e quer aproveitar esse movimento de queda para diminuir os juros, é possível fazer a portabilidade de crédito imobiliário. Segundo Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa, os acessos do simulador de portabilidade do site têm crescido este ano – são quase 50 pedidos por dia.

Matéria via Valor Investe – Imóveis.

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