17 de maio de 2022

Vilões da produtividade: a armadilha da “dedicação total”

vilões da produtividade

A lista de vilões da produtividade inclui falta de planejamento, processos mal estruturados e cultura organizacional sufocante! Veja como enfrentar esses problemas.

Em todo ambiente organizacional, um dos objetivos óbvios é elevar a produtividade. O problema é quando essa busca apaga a linha que divide a vida profissional e a vida pessoal. Trata-se de uma armadilha. Conforme explica o escritor Greg McKeown (autor de Essencialismo e Sem Esforço), há um ponto em que se esforçar mais não aumenta a produtividade.

A proposta deste artigo do Blog da Arbo é levantar uma reflexão a respeito do impacto da cultura organizacional sobre a produtividade. Além disso, listamos alguns aspectos sobre os quais todos nós precisamos nos atentar no dia a dia para evitar a sobrecarga física e emocional. Confira!

A “cultura da dedicação total”

Muitas vezes, o desrespeito aos nossos próprios limites físicos e mentais é reflexo da cultura organizacional. Em artigo publicado pela Harvard Business School em 2016, as especialistas em comportamento organizacional Erin Reid e Lakshmi Ramarajan discutem a “cultura da dedicação total” e como as pessoas reagem a ela.

Segundo as autoras, é possível identificar em muitas empresas uma certa pressão implícita para que os funcionários se comportem como o “trabalhador ideal”: gente 100% dedicada ao emprego e que está sempre disponível. 

Mesmo quando não há uma mensagem explícita nesse sentido, colaboradores se sentem pressionados a chegar muito cedo, trabalhar até tarde, varar madrugadas e até dedicar o fim de semana a realizar suas tarefas. E eles o fazem para corresponder às supostas expectativas da empresa e por receio de serem penalizados.

Como consequência, essas pessoas deixam de lado seus interesses pessoais, como as atividades de lazer e o convívio com familiares e amigos. Essa é uma realidade difícil de enfrentar porque, de fato, há quem veja na “dedicação total” o único caminho para o sucesso.

Ao entrevistar centenas de profissionais de diversas áreas, como consultores, jornalistas, professores e empreendedores, Reid e Lakshmi perceberam que a maior parte deles acha muito difícil abafar aspectos da vida pessoais.

Contudo, o que mais chama atenção é que, a partir de um estudo realizado em uma empresa de consultoria, as autoras identificaram três tipos de estratégias utilizadas pelos funcionários para lidar com a expectativa do “trabalhador ideal”. 

Como você verá a seguir, são padrões de comportamento que acabam prejudicando tanto aos próprios colaboradores quanto à organização. É quando nós mesmos nos transformamos em vilões da produtividade.

Aceitação

Esse é o grupo dos “conformistas”, aqueles que simplesmente aceitam a pressão do ambiente de trabalho e sacrificam aspectos importantes de suas vidas pessoais para priorizar a vida profissional. Segundo Reid e Lakshmi, 43% dos participantes do estudo se enquadram neste padrão.

Dentro desse grupo, alguns participantes da pesquisa relataram que haviam abandonado sonhos pessoais, tinham muita dificuldade para se planejar e recebiam e-mails dos chefes a qualquer hora do dia ou da noite.

Geralmente, quem adota a postura de aceitação tem dificuldade para entender quem não faz o mesmo. Como resultado, eles próprios se tornam agentes de pressão para que todos sejam o “trabalhador ideal”. Quando ocupam cargos de gestão, essas pessoas não lidam bem com quem valoriza a vida fora da empresa. 

Obviamente, esse comportamento é fonte de conflitos corporativos. Mas, para além desse aspecto, as autoras lembram que, embora a dedicação integral ao trabalho pareça gratificante enquanto as coisas vão bem, ela tende a trazer frustração e fragilidade a longo prazo. 

Líderes que fazem parte desse grupo dificilmente são bons mentores, já que estão sempre mergulhados no trabalho e não têm tempo para ajudar no crescimento dos liderados. Em resumo, eles não desenvolvem em si mesmos as características de uma boa liderança, algo que acaba derrubando a produtividade.

Atuação

Esse grupo de vilões da produtividade é composto por pessoas que “fingem” se adequar à expectativa do “trabalhador ideal”. Os atores mais bem sucedidos conseguem níveis de avaliação tão altos quanto os dos trabalhadores mais aplicados, mas usam artimanhas para disfarçar o tempo dedicado a atividades pessoais. Dentro da empresa estudada, esse grupo correspondia a 27% dos funcionários. 

Nem é preciso dizer o quanto esse comportamento impacta negativamente os resultados de uma equipe. E, olhando para o aspecto individual, os que se dedicam à atuação pagam o preço emocional de sempre esconderem parte significativa do que são. Eles tem pouco engajamento e passam a se sentir inseguros. 

Explicitação

O último grupo, que correspondia a 30% dos funcionários da empresa estudada, é o das pessoas que não aceitam o conceito do “trabalhador ideal” e nem fingem aceitá-lo. Elas tendem a falar abertamente sobre a necessidade de alterar os aspectos problemáticos do ambiente de trabalho. 

Os “explicitantes” escancaram que o receio dos outros grupos têm razão de ser. De acordo com Reid e Lakshmi, o histórico de avaliações de desempenho e de promoções desses indivíduos demonstravam com clareza que há penalidades para quem não cede à pressão do ambiente. 

À medida que se sentem prejudicados por conta de seus posicionamentos, os integrantes desse grupo se tornam vilões da produtividade porque ficam desmotivados e ressentidos. A tendência é que eles deixem a empresa em busca de um lugar onde possam se encaixar melhor, elevando o turnover (índice de entrada e saída de funcionários) e aumentando custos. 

Como enfrentar o problema?

A partir dos resultados de suas pesquisas, Reid e Lakshmi concluem que as empresas podem conseguir mais engajamento por parte de seus colaboradores caso os deixem mais livres para estabelecer limites entre vida profissional e vida pessoal. Elas destacam três mudanças a serem implementadas em nível de equipe:

Lideranças mais flexíveis

Gestores flexíveis entendem que o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional leva os funcionários a gerar mais valor para a organização. Para quebrar o padrão do “trabalhado ideal”, o próprio líder pode começar a cultivar atividades fora do trabalho. 

Isso torna os colaboradores mais propensos a fazer o mesmo, quebrando o ciclo de propagação da “cultura da dedicação total” e evitando o comportamento de aceitação.

Valorizar o resultado, não as horas trabalhadas

Quando valorizamos o tempo gasto em uma tarefa, é como se disséssemos que “quem trabalha por muito tempo tem mais valor”. Esse cenário favorece o surgimento de situações em que os funcionários enganam a empresa e a eles mesmos quanto ao número de horas trabalhadas.

A valorização do resultado, somada a certo nível de autonomia em relação aos horários, faz com que a equipe realmente se preocupe em encontrar a solução mais efetiva para um problema.

Proteger ativamente o tempo de descanso

Líderes devem assumir o compromisso de evitar um número excessivo de horas de trabalho. E isso se faz com um direcionamento claro. Como Reid e Lakshmi ouviram de uma de suas entrevistadas “trabalhar até tarde da noite é sinal de ineficiência”.

Os vilões da produtividade no dia a dia

A questão comportamental se reflete nas práticas que adotamos no dia a dia. Por isso, além de fazer uma reflexão sobre o que abordamos nos itens acima, também vale a pena olhar para a maneira como você e seu time se organizam para trabalhar. Veja alguns vilões da produtividade que acabam se tornando parte do seu cotidiano:

Sobrecarga e falta de foco

A sobrecarga é reflexo direto da falta de planejamento. Se você tem dificuldades em se concentrar em uma tarefa porque sua mente fica ocupada com diversas pendências, está na hora de parar para respirar. É interessante montar uma rotina de trabalho que lhe permita dedicar tempo a atividades específicas em intervalos bem definidos.

Para as lideranças, também vale a reflexão sobre o que pode ser delegado. Muitos gestores cometem o erro de absorver para si a responsabilidade de olhar tudo o tempo todo. A dica é confiar mais no seu time e ter consciência de que erros também fazem parte do aprendizado. 

Seu objetivo como líder deve ser ensinar a equipe a pensar por conta própria e ser independente.

Ferramentas subutilizadas

A tecnologia está aí para tornar as atividades rotineiras mais fáceis e permitir uma visão abrangente do que está acontecendo nas operações de um negócio. Contudo, para que isso se concretize, o senso de disciplina é essencial.

Se sua imobiliária tem um CRM cheio de funções interessantes, por exemplo, dedique-se para aprender a tirar o máximo proveito dele. 

Reuniões demais

Em tempos de reuniões virtuais, você certamente já se deparou com aquela “reunião que poderia ser só um e-mail”. Especialmente em empresas com estruturas mais complexas, a realidade dos encontros desnecessários precisa ser enfrentada. 

Se você fica meia hora em uma conversa e ela não termina em nada, quer dizer que algo precisa mudar. Para isso, estabeleça formas de garantir que cada reunião terá, de fato, uma decisão concreta sobre os próximos passos de um projeto.

Como vimos, os vilões da produtividade podem ser fatores um tanto complexos e abrangentes, como a cultura organizacional, mas também pequenas escolhas do cotidiano. Na verdade, podemos dizer que tudo isso se entrelaça de alguma forma e torna o ambiente de trabalho pesado e ineficiente, afetando a motivação da sua equipe e impactando as vendas.

Esperamos que este artigo tenha sido útil para levantar algumas reflexões sobre a sua empresa e a sua rotina. Siga nossos perfis no Instagram, no LinkedIn e no YouTube para acompanhar nossos novos conteúdos com dicas para alavancar a performance no mercado imobiliário.

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