A tendência retrofit é essencial para revitalizar edifícios históricos de forma sustentável e responsável. Saiba mais sobre o tema neste artigo do Blog da Arbo
Você já ouviu falar em retrofit? Essa é a maior tendência de arquitetura dos últimos tempos, uma vez que consiste em um nicho que tem mostrado cada vez mais potencial. A palavra, que tem origem inglesa, surgiu na Europa e se refere a novidades em projetos e espaços.
O mundo passa por um momento que precisa de mudanças – prova disso foi o ano de 2020. Isso significa que as pessoas devem ser mais responsáveis com o meio ambiente, o que inclui práticas mais sustentáveis.
Se você está curioso (a) para saber mais sobre o retrofit, confira as informações que o Blog da Arbo traz neste artigo:
- Origem da técnica
- Mas, afinal, no que consiste a técnica?
- Exemplos na história do Brasil
- Vantagens da técnica de reforma
Origem da técnica
A prática do retrofit surgiu na Europa, mas também é muito usada nos Estados Unidos. O retrofit tem cada vez mais importância devido à grande quantidade de edifícios históricos que precisam de um processo moderno para uso adequado, atendendo à legislação no que se refere à preservação do acervo arquitetônico.
Quando se trata da preservação de um patrimônio histórico, o retrofit é uma ferramenta para atualizar o edifício sem comprometer a memória e a arquitetura do local.
Quando algumas imperfeições e problemas surgem por conta do tempo de uso e de vida de uma instalação, o retrofit é uma oportunidade de corrigir os problemas do estabelecimento. Consequentemente, há a melhoria na qualidade do ar, bem como a redução de custos operacionais, a economia de energia e a valorização do imóvel.

Mas, afinal, o que é o retrofit?
É importante dizer que o retrofit surgiu como uma solução para preservar e melhorar as instalações de prédios abandonados ou em condições de conservação insatisfatórias.
Essa é uma estratégia para revitalizar construções antigas e trazer a elas novas tecnologias e funcionalidades sem alterar as propriedades originais, sendo assim, permitida em edificações que são consideradas patrimônios históricos.
O retrofit promove novas soluções para fachadas, mais segurança, melhora proteções contra incêndio e apresenta novas estratégias de funcionalidade. Além disso, o processo refaz as instalações, o que moderniza os sistemas elétricos, hidráulicos, de telefonia e elevadores.
De forma resumida, é um processo de atualização de um ambiente construído que se tornou ultrapassado, de forma que preserve todas as suas características arquitetônicas, sem perder a essência da sua época.
Vale ressaltar que a técnica não fica só na repaginação predial, mas também pode ser aplicada no mobiliário urbano, como em praças e outros locais públicos.
Cuidado para não confundir!
Apesar de ser sinônimo de reforma, na arquitetura, o conceito de retrofit é um pouco diferente. É comum que as pessoas o confundam com uma restauração ou uma reforma, justamente por causa das semelhanças.
A reforma é uma intervenção que não carrega o objetivo de modificar por completo uma construção e nem uma adaptação. A restauração traz um ar renovado por dentro e por fora, mas mantém todas as características originais, inclusive proximidade com as cores e os azulejos usados.
Já no modelo de retrofit existe um conjunto de ações para adaptar e melhorar edificações, adequando cada uma delas às novas necessidades de uso e aumentando sua utilidade.
Em uma obra de uma capela muito antiga, por exemplo, a tendência será manter a fachada tradicional e os afrescos da capela, e acrescentar ar-condicionado e uma nova rede elétrica com eficiência solar, assim como um sistema de reaproveitamento da água.
De forma geral, com o retrofit é possível aumentar a vida útil de um prédio ou de uma casa, além de poder manter (se for o objetivo) as características originais do projeto, em especial quando se fala em patrimônio histórico.

Exemplos de retrofit na história do Brasil
1. Hotel Fasano, em Salvador
O primeiro exemplo de retrofit é o Hotel Fasano, em Salvador. O prédio original, em estilo art déco, foi inaugurado em 1930 e durante 45 anos abrigou alguns escritórios, entre eles a sede do jornal ‘A Tarde’.
Outro exemplo de retrofit na cidade de Salvador é o Fera Palace Hotel, que foi inaugurado em 1934 e reinaugurado em 2017, depois de um trabalho detalhista de restauração.
2. Pinacoteca do Estado de São Paulo
Um dos grandes exemplos de aplicação de retrofit no Brasil é o projeto da Pinacoteca de São Paulo, realizado por Paulo Mendes da Rocha, um dos maiores arquitetos brasileiros.
O edifício original – construído no final do século XIX – passou, ao longo dos anos, por diversos tipos de ocupações, transformações, estragos e até mesmo abandonos.
Assim, o projeto de revitalização tinha como objetivo principal adequar a edificação conforme as necessidades técnicas e funcionais para transformá-la definitivamente na Pinacoteca.
Sem deixar de preservar a construção original e suas fachadas externas, o projeto contou com adequações como: instalação de uma nova rede elétrica; criação de uma nova espacialidade do interior do edifício; reforço estrutural dos pisos; inclusão de elevadores para garantir acessibilidade e telhados com vidros para aproveitar melhor a iluminação natural.

3. Edifício Martinelli, no Centro Histórico de São Paulo
O projeto de retrofit do Edifício Martinelli, assinado por Paulo Lisboa, teve a missão de revitalizar o primeiro arranha-céu da cidade de São Paulo. A obra, que havia sido construída em 1929 e é tombada como patrimônio histórico, se tornou a Secretaria Municipal de Licenciamento.
O desafio foi trazer soluções modernas em contraste com a historicidade de um edifício tombado.
Para tanto, entre as melhorias, o Edifício Martinelli passou por modificações como: criação de espaços integrados; sistema de climatização; estrutura de cabeamento para informatização; qualificação dos pavimentos; e nova iluminação para os locais de trabalho.
4. Sesc Pompeia, em São Paulo
Outro exemplo de aplicação da técnica retrofit no Brasil é o projeto de Lina Bo Bardi, que transformou antigos galpões de uma fábrica de tambores em uma das mais belas unidades de lazer e cultura do Sesc.
O projeto de restauração e revitalização durou 5 anos, de 1977 até 1982. A arquiteta teve como foco o conceito do restauro crítico, que busca atualizar uma construção, e não simplesmente refazer a edificação em seus moldes completamente originais.
Com esse foco, a ideia do projeto era recuperar e preservar a antiga fábrica, mas a partir de uma visão adaptada aos dias atuais. Assim, o projeto contou tanto com conceitos novos, como a democratização dos espaços, como da preservação de elementos históricos, como os latões de lixo em referência aos tambores.
Além destes, o retrofit mais famoso de São Paulo é o do Edifício Altino Antares, de 1947.

5. Edifício Galeria, no Centro do Rio de Janeiro
A empresa Tishman Speyer, responsável pelo projeto de retrofit do Edifício Galeria, realizou o processo de restauração e modernização de 2009 a 2011. A construção, que era da década de 1930, foi amplamente revitalizada, trazendo novas instalações na parte elétrica, hidráulica e de telecomunicações.
O objetivo era possibilitar a instalação de grandes empresas, tornando a edificação um dos melhores edifícios corporativos e comerciais da cidade. Para tanto, o projeto buscou manter a herança cultural e histórica da construção, trazendo ao mesmo tempo modernização do espaço físico e das instalações para atender as demandas atuais.
Assim, o processo de revitalização do Edifício Galeria contou com: reforço das fundações, colunas e estruturas; restauração das fachadas; total refação da parte elétrica com nova tecnologia; implantação de tecnologias de ponta, como elevadores modernos, sistema eficiente de ar-condicionado, acesso para pessoas com deficiência e sistemas robustos de segurança.
Vantagens da técnica
A primeira vantagem de aplicar o retrofit é a valorização do imóvel, que vem justamente pelo fato de modernizar toda a estrutura, assim como acabamentos e instalações.
Outras vantagens que podem ser percebidas com o retrofit são:
- Redução de custos: devido ao estudo de reaproveitamento e sustentabilidade;
- Mais rapidez: geralmente os projetos de retrofit são feitos em módulos, o que proporciona maior agilidade;
- Revitalização: resultado da modernização da infraestrutura, que reaproveita espaços e ambientes.
Quer saber mais sobre o retrofit? Então confira o vídeo Você sabe o que é retrofit?, publicado no canal Comalmaarquitetura, no YouTube:
Agora que você já conhece a tendência retrofit, o que acha de conferir outros conteúdos do Blog da Arbo? Continue a navegar pelo site para saber mais sobre decoração, arquitetura e muitos outros temas.
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